A Moeda dos Céus

O início da minha Jornada!
De repente, vi minha mãe chegar do hospital chorando. Não entendi o motivo de sua tristeza, porque naquela noite eu havia sonhado que o papai voltava para casa. Mas naquele mo­mento descobri que ele nunca mais voltaria. Respirei fundo e deixei que as lágrimas traçassem seu percurso sobre meu rosto de menino. Jamais esqueci aquele dia, 24 de setembro de 1974; eu estava com nove anos de idade.

Meu pai, Ishola Balogun, era homem de personalidade forte, sempre seguro de si, corajoso e, por isso, eu o admirava; ele era um referencial de herói para mim. Com a sua morte, tornei-me o homem da casa assumindo uma postura de protetor. E embora não fosse o mais velho da família, assumi aquela postura sim­plesmente por acreditar que tinha de ser assim. Éramos ao todo dez filhos, cinco meninos e cinco meninas, sendo que meus dois irmãos mais velhos estavam fora de casa, estudando em regime de internato. Deste modo, sentia-me plenamente responsável, tanto por meus irmãos ainda pequenos, como por minhas irmãs mais velhas; era minha obrigação cuidar de todos.

Minha mãe, Mopelola Balogun, era enfermeira profissional, mas deixara o trabalho a pedido de meu pai, a fim de ter mais tempo para cuidar dos filhos. Com a morte dele, ela teve de re­tornar à profissão, doutra forma, não teria como nos sustentar. Foi quando descobri que de fraca minha mãe não tinha nada; tornei-me seu ajudante, uma espécie de auxiliar de enfermagem. Andávamos quilômetros por toda aldeia, pelas estreitas estra­das de chão, cuidando dos doentes, tantos quanto possível. Às vezes, me perguntava de onde ela tirava tanta disposição, pois não foram poucas as ocasiões em que a vi tratando de pessoas como se fosse o próprio médico. Sem dúvida, minha mãe amava o que fazia! Quando retornávamos para casa, já tarde, eu a via dormir exausta; no entanto, antes de o sol nascer, por volta das 5 horas da manhã, eu me surpreendia ao vê-la ajoelhada, próxi­ma à cabeceira da cama. Todas às vezes que acordava naquela hora, eu a ouvia sussurrando o nome de cada filho para o Deus que ela chamava de Pai e Marido de viúva. Na verdade, aquela atitude me comovia, mas, ainda assim, não entendia o porquê de ela não ser muçulmana. Quanto a mim, pretendia seguir o islamismo, pois fazia parte da nossa cultura; era uma tradição africana, onde a religião do pai era a religião da família.

Contudo, minha mãe, que já nascera numa família cristã, era anglicana e, ao casar-se com meu pai, continuou sendo cris­tã. Esse fato não agradou em nada, principalmente aos meus tios paternos, que entendiam que após o casamento ela deveria se tornar muçulmana.

Anos depois, converti-me ao catolicismo, e nessa época eu estava com aproximadamente dezenove anos de idade. E, mais adiante, Deus cuidou para que eu viesse parar no Brasil, onde conheci verdadeiramente Jesus. Mas minha mãe nunca nos impôs sua crença, talvez porque soubesse que não adiantaria; apenas orava por nós, pois era convicta de que na hora certa acharíamos o caminho.

A oração da minha mãe foi um valioso investimento sobre toda a família, porque acima de tudo ela era uma mulher de fé. Hoje, ao recordar as muitas coisas pelas quais passei desde a minha infância na Nigéria até o dia de hoje, observo as etapas que o Senhor me fez passar, a fim de que pudesse crescer em vários aspectos, mas especialmente na fé.

Atualmente, pela graça de Deus, todos os meus irmãos são convertidos a Cristo. Também minhas irmãs se converteram ao Senhor Jesus. E tudo isso por quê? Porque a visão de minha mãe não se limitou às circunstâncias. Pela fé ela viu todos nós ser­vindo ao Senhor e fazendo parte da imensa família de Deus, que tem se estendido por todo o mundo. Contudo, nada aconteceu de repente. Houve um processo na vida de cada um de nós; uma sequência de acontecimentos que, lentamente, nos fez por em prática as ordenanças do Senhor.

Acostumados com um mundo imediatista, muitos cristãos têm deixado de crescer e amadurecer através da fé em Cristo, porque vivem na esfera do já, do agora. Se as coisas não aconte­cem no tempo deles, então Deus não tem nada a ver com o que estão planejando. Ou seja, afastam Deus do projeto dizendo que aquilo não pertence ao âmbito espiritual, mas humano; por isso, não precisam mais consultá-lO. Partindo desta conduta, relacionamentos têm sido rompidos, e profissionais têm se frus­trado em seus empreendimentos.

A base de todas as coisas está em ouvir a Deus, no entanto, só sabe ouvi-lO quem crê, isto é, quem confia sinceramente nEle. E de onde vem tamanha confiança e credibilidade? Vem da nossa fé, que se inicia enquanto lemos ou ouvimos a Sua Palavra: De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus (Romanos 10.17). E que começa a crescer quando passa­mos a colocá-la em prática: Ao que Jesus lhes disse: Tende fé em Deus; porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele (Marcos 11.22,23). O monte chamado medo, insegurança, depressão, desemprego, decepção, ou frustração, é lançado no mar do esquecimento quando erguemos a bandeira da fé, e no nome de Jesus afirmamos que somos mais que vencedores. Isto é colocar a fé em prática, e à medida que nossas petições vão sendo ouvidas, alcançamos um patamar a mais na nossa traje­tória de fé. Mas também temos de aprender a compreender o silêncio e até o não de Deus, pois tudo coopera para o nosso crescimento nEle, mesmo aquilo que a princípio nos parece in­viável, difícil de entender e de aceitar.

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